A Voz do Mar
Em "A Voz do Mar", da Volvo Penta, a mesma música original atravessa as três formas de usar som num filme. De propósito.
"A Voz do Mar" é uma homenagem da Volvo Penta ao Dia do Marinheiro. No filme, produzido com a Catalunya Filmes, uma canção original acompanha os marinheiros do cais ao mar aberto. Mas ela não entra como trilha de fundo: começa dentro da cena, na voz dos personagens, e termina conduzindo o filme por baixo da locução. No caminho, atravessa as três formas de usar música numa propaganda.
01 A voz dos marinheiros (diegética)
O filme abre com os marinheiros cantando "A Voz do Mar" no cais. A canção nasce ali, dentro da cena, na boca dos personagens. Quando a música tem fonte na própria cena (o rádio do carro, a TV da sala, alguém cantando), ela é diegética: personagem e espectador ouvem a mesma coisa, ao mesmo tempo. A canção é uma composição original da TORO, escrita pra soar como algo que aqueles homens cantariam de verdade: textura acústica, violão, a mão no tampo do instrumento marcando o tempo.
02 Quando a fonte some (híbrida)
Os marinheiros se movem pelo cais e a canção continua, mas não há mais de onde ela saia. Nenhum rádio, nenhuma fonte visível: a música paira sobre o ambiente com um leve efeito de radinho, como se viesse de todo lugar e de lugar nenhum. Aqui ela não é bem diegética nem só trilha. É a zona cinzenta que os teóricos chamam de intra-diegética, ou híbrida. É a forma mais difícil de usar música num filme, e a que dá camada: a canção deixou a cena sem sair dela.
A maior parte dos filmes escolhe uma forma. Este usa a passagem entre elas.
03 A trilha assume o filme (não-diegética)
Na virada, o efeito de radinho sai. A trilha ganha corpo: entram mais instrumentos, a percussão abre, e a canção vira base pra locução. Nesse ponto ela é não-diegética, a forma mais comum em publicidade: a cama que conduz a emoção por baixo da narração, que os personagens não ouvem, só o espectador. A mesma melodia que começou na boca dos marinheiros agora sustenta o filme inteiro.
É isso que a gente faz quando compõe uma trilha original pra um filme: não escolher entre estar dentro ou fora da cena, e usar a passagem entre as duas como recurso narrativo. Se você constrói filme publicitário, é assim que a gente pensa a música em publicidade. Veja o filme completo acima e o portfólio no Vimeo.